Moda sustentável

SEGUNDA MÃO: uma espécie de guia.

Para quem não sabe, sou uma mega fã de compras em segunda mão. É a minha forma de consumo sustentável preferida. O tropeçar em coisas, sem querer, no meio da confusão de uma loja solidária, descobrir tesourinhos, peças diferentes, muitas vezes, com uma qualidade muito superior à da maioria dos produtos massificados, que encontramos, hoje em dia, à venda. Sempre adorei esta descoberta! Quando era uma consumidora (mais) inconsciente, adorava os saldos, descobrir coisas no meio daquela confusão. Entretanto, a vida mudou, esta cabecinha começou a questionar o próprio consumo e, principalmente, a perceber os seus efeitos e nunca mais comprei nada num centro comercial. Já lá vão uns bons aninhos.


Botas Panama Jack em pele e mochila nike (Olx); Casaco Zara 100% caxemira (Troca-te); calças Betty Barclay (loja solidária Exército de Salvação).

Para os principiantes e para os avançados que, como eu, adoram ouvir e partilhar dicas para aperfeiçoar o radar segunda mão, deixo aqui os meus sábios (lol) conselhos .

Atenção: não é preciso adorar procurar tesouros para comprar em segunda mão, se não tens paciência para isso, isto também é para ti!


Cortinados azuis (eram dos meus pais); Cesta (era da minha avó); Cadeira (era dos cunhados da minha irmã); Azulejos verdes da nossa cozinha (sobraram da casa de banho da minha irmã); Vaso suspenso (loja segunda mão em Peniche).

Porquê?

Em regra, o produto mais sustentável é aquele que já existe. Ao comprar em segunda mão, não só poupamos recursos para produzir novas coisas, como também evitamos que coisas boas para usar vão parar a aterros (reciclagem, na melhor das hipóteses). É, quase sempre, mais barato.

Onde comprar:

  • Telemóveis, computadores, pequenos/grandes electrodomésticos: lojas especializadas (tipo cashconverters) que normalmente oferecem garantia; particulares através de plataformas online (olx, custo justo, Facebook market/grupos de venda, etc); lojas solidárias (exemplo:remar, exército de salvação); lojas de artigos em segunda mão;
  • Loiça, decoração, têxteis lar, pequenos electrodomésticos: feiras e mercados (bagageira, ladra); lojas solidárias (para além das anteriores, a maioria das paróquias e associações têm, ainda que esporadicamente, lojas ou mercados solidários), Ikea oportunidades (também têm coisas em segunda mão), online (igual a anterior).
  • Roupa: feiras e mercados (bagageira, anjos70, ladra, etc.), lojas em segunda mão, lojas vintage, online (nos mesmos sítios + páginas no instagram, sites especializados em roupa), lojas solidárias.
  • Livros: feiras/mercados, alfarrabistas, lojas em segunda mão, online (igual a roupa), lojas solidárias.

Dicas (o quê/como comprar/procurar):

  • Não comprar só porque é barato. Normalmente, há coisas muito baratas em segunda mão, para grandes consumidores de pechinchas, há tendência para comprar, indiscriminadamente.
  • Ter sempre uma lista (no telemóvel, por exemplo) de coisas que se procura (muito útil!) e, eventualmente, partilhá-la com amigos e familiares.
  • Avaliar sempre as peças antes de comprar (experimentar, ver se é preciso arranjar alguma coisa, etc); em compras online, enviadas por correio, pedir as fotos necessárias para perceber o estado.
  • Online: ativar os alertas para anúncios novos de produtos que te interessem (assim recebes notificações); pesquisar de várias formas (exemplo: caxemira, cashmere, cachemira).
  • Não comparar o preço de produtos de qualidade com artigos massificados e/ou feitos com mão de obra explorada (exemplo: camisola 100% lã vintage vs camisola lã acrílica fastfashion, prato Vista alegre vs prato Ikea). Isto não quer dizer que não deves comprar produtos de “menor” qualidade em segunda mão, tenho umas calças da Zara compradas no olx há 4 anos, que uso desde aí e ainda estão ok (já foram remendadas, mas ainda as uso regularmente).
  • Sempre que estiveres em sítios diferentes, pesquisem se há lojas – perguntem aos locais ou no google (por lojas em segunda mão/vintage/solidária).
  • Mudar o paradigma: segunda mão é a primeira opção, só quando não encontrares em segunda mão é que ponderas comprar novo.

Taças Porcelana Inglesa (loja solidária Remar); Talheres Icel (olx) .

Para além de comprar, há sempre a hípotese de trocar ou mesmo só receber/dar. Iniciativas como o Troca-te, o Freecycle, alguns grupos no facebook, permitem que se adquira coisas novas (para nós) sem dinheiro envolvido. Por vezes, nos mercados online também há coisas a doar/trocar.


Livro (loja segunda mão, há + de 5 anos e emprestado inúmeras vezes); E-reader Kobo (Cashconvert); Garrafa em inox (Olx).

Família e amigos, normalmente, também são excelentes fornecedores. Muitas vezes, têm coisas que se querem desfazer e que são úteis para nós. Mostra-te disponível, cria um grupo no whatsapp (por exemplo) para doar coisas dentro do teu circulo. Doa/partilha também coisas que não precisas com pessoas à tua volta, às vezes, desperdiça-se muitas coisas por não comunicarmos uns com os outros! Eu, entre outras partilhas, tenho o meu quadrado dos livros sempre em modo biblioteca, quase todos os livros que guardo (poucos) estão disponíveis para emprestar.

Há ainda soluções de aluguer (economia partilhada) mas acho que esse tema merece uma publicação inteira, por isso, irei aprofundá-lo, em breve.

Ao lado dos contentores do lixo, frequentemente, também é possível encontrar coisas altamente. Tenho vários “achados” de lá (exemplo:manta 100% lã, feita em Portugal, embalada; Loiça Vista Alegre, mesa de apoio vintage…).

Muito importante: A disponibilidade de artigos é diferente do mercado de produtos novos, nem sempre conseguimos encontrar tudo de imediato. É preciso mudar a mentalidade. Algumas vezes, temos de esperar, algum tempo, até aparecerem as coisas que queremos. Não dá para estar com aquela sofreguidão consumista pela última tendência. Este, talvez, seja o maior conselho que possa dar. O segredo é aprender a controlar a nossa ânsia consumista, esperar. Com os anos, fui aprendendo a controlar-me cada vez melhor e, agora, com o processo de espera, muitas vezes, percebo que nem quero/preciso do artigo em questão. Outras vezes, adquiro, e só depois percebo que não dou uso. Nessas alturas, volto a disponibilizar (vendo, dou, troco) o artigo e está resolvido. Não são consumidos mais recursos por minha causa e, como não estou a a aprisionar algo que não uso, não são precisos mais recursos para se fazer algo novo, para outra pessoa.

Por fim, relembro que questionar, se precisamos realmente do que temos/vamos adquirir é, para mim, o pilar do consumo sustentável.

P.S – Para todos os que tiverem preconceitos em relação a usar coisas que já foram usadas: quando vais a hotéis não dormes em lençóis usados e toalhas usadas? E nem és tu que os lavas…

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