Recursos

Economia circular: como posso contribuir?

economia circular
Ilustração: instagram @the.mirror

O conceito de economia circular foi um life-changer, para mim. Desde que comecei a ler sobre o tema, há uns anos, fiquei fascinada. Tenho aprofundado o assunto e já consumi muita informação. Há muito tempo que queria abordar diretamente este tema aqui, mas não sabia bem como. Para começar, não queria um artigo massudo e profundo (lá chegaremos), mas sim uma introdução simples e prática.

Ontem, de manhã, enquanto ouvia este podcast, esbarrei com estas informações: em média, um Iphone contém, pelo menos 75 elementos, entre eles, materiais raros e/ou difíceis de extrair (e com alto impacto ambiental e social) ; o número de telemóveis descartados anualmente é brutal e a taxa de reciclagem é mísera. Lembrei-me de que tinha dado descanso ao meu velho Iphone (que já tinha sido do panda) no início do ano. Agora tenho outro um bocadinho mais evoluído, também em segunda mão (na verdade, em 4ª eheh). Mas o meu velhote, anda aqui, às vezes dá-me jeito (especialmente, agora com a caravana, funciona quase como uma bateria extra). Mesmo assim, podia tê-lo reparado. Isto tudo, para dizer, que decidi que era mesmo assim, que ia começar a falar de economia circular: como, nós, como consumidores, podemos contribuir para essa transição.

Ao contrário da atual economia linear (extrair, transformar/consumir, descartar), a economia circular propõe uma abordagem diferente, em que potencia a reutilização de materiais. Entre outras coisas, assim POR ALTO* (lol) pressupõe que os produtos sejam pensados não só para durar mais tempo (em vez de, deliberadamente, feitos para se estragarem passado x tempo – obsolescência programada), mas também para serem fáceis de reparar e os seus componentes possam ser, posteriormente, usados novamente noutros produtos. Os materiais circulam, em vez de serem desperdiçados no fim da curta vida útil (no paradigma atual). Eventualmente, depois de MUITAS utilizações, poderão ser reciclados ou, no caso dos materiais biodegradáveis devolvidas à natureza.

Mas, e, então, nós, comuns mortais, que não estamos diretamente ligados à produção, design, etc… o que podemos fazer para contribuir para uma economia mais circular? De várias formas:

  • Reparar os nossos produtos: sejam roupas ou telemóveis, podemos reparar a pequena avaria, em vez, de desperdiçarmos tudo o resto. Frequentemente, são arranjos simples, que podem fazer com que aquele produto dure mais anos, mas, normalmente, e por a oferta de coisas novas ser tanta e tão barata, descartamos logo o produto. Contra mim falo, quantas vezes não consertei uma coisa por achar que ia ficar muito caro, que mais valia comprar outro para substituir, quando, na verdade, nem fui saber do arranjo (que até podia, realmente, não compensar, mas só indo ver é que sabemos!)
  • Comprar (e vender) em segunda mão: já sabes, sou uma adepta fervorosa do mercado em segunda mão, porque ele, para além de evitar que se gastem novos recursos, prolonga a vida de produtos que já existem. (se precisares de algumas dicas, vê este artigo)
  • Usar, ao máximo, o que já temos: não comprar um novo só porque é a nova moda, pensar bem se precisamos mesmo e, se decidirmos trocar, disponibilizar no mercado de segunda mão o que tínhamos (para não ser desperdiçado). Fazer alterações/melhorias no que já temos.
  • Partilhar (em vez de possuir): optar por soluções de aluguer de coisas/serviços, em vez de ser proprietário, para potenciar a sua utilização máxima. Por exemplo, se alugares uma bicicleta ou uma ferramenta, apenas durante tempo em que realmente está a utilizar, permite que no restante tempo ela esteja a ser utilizada, por outras pessoas.
  • Pressionar os fabricantes/marcas: os produtores reagem à procura dos consumidores. Pedir soluções mais circulares, produtos que possam ser reparados, que durem mais, etc.
  • Votar: exigir políticas que beneficiem a economia circular, quer sejam para propiciar o surgimento de soluções (por exemplo, benefícios fiscais para empresas que invistam neste tipo de medidas), quer seja através de leis que responsabilizem os fabricantes pelos seus produtos (reparações, destino no fim de vida, etc).
  • Encaminhar os produtos em fim de vida para os locais apropriados: nem sempre é fácil, por vezes, temos de perguntar às marcas e/ou sistema de gestão de resíduos onde colocar, mas só assim contribuímos para que, possivelmente, sejam reciclados/reparados e usados novamente. Quando as empresas têm estratégias circulares, também devemos contribuir com a nossa parte (exemplo: no caso da Lush, que recebe as embalagens de volta, para a própria empresa a reciclar, o consumidor deve devolve-las).
  • Qualidade: optar por produtos de boa qualidade, que durem mais tempo. Idealmente, optar por produtos já pensados para serem circulares.

De qualquer forma, e, quer seja numa economia circular ou linear, é sempre uma boa ideia reduzir o consumo, no que for possível.

*assim por alto: há MUITO MAIS a dizer sobre este tema. Se tens interesse e, ainda é, relativamente, novo para ti, aconselho estes dois sites https://storyofstuff.org/ e https://www.ellenmacarthurfoundation.org/. Se quiseres mais referências, manda-me mensagem no instagram ou comenta aqui no blog 🙂 .

Um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *