Viagens

Panda em viagem: Suíça

Um dos meus planos futuros, é viajar durante algum tempo, por isso, decidi iniciar esta espécie de série “Panda em viagem” com relatos de sítios onde fui, roteiros sustentáveis, experiência com autocaravana (se for o caso), evitar descartáveis fora de casa, etc. Começo com a minha pequena experiência na Suíça.

Aldeia de Lungern

Há duas semanas, apanhei boleia da minha família, que ia, de autocaravana, até Zurique, visitar os familiares do meu cunhado e fui passar uns dias à Suíça. Há uns anos que tento reduzir as viagens de avião, por isso, como nunca tinha visitado o país, tinha disponibilidade e estou em contenção de gastos, achei por bem aceitar este passeio.

A viagem foi feita em mais ou menos, 1 dia e meio/2, tanto para lá, como para cá. Com poucas horas de sono e sempre pela autoestrada. Honestamente, se não fosse esta circunstância específica, nunca faria uma viagem de tanto tempo seguido, porque não sou grande fã de andar de carro, muitas horas. Faz-se bem, mas para mim são horas a mais ahah (sentimentos de quem cresceu no mundo das viagens de avião baratas, que não refletem os custos ambientais!).

Foifi – Loja Zero Waste em Zurique

Em Zurique, para além da visita normal a qualquer cidade (arquitetura, monumentos, etc) visitei esta loja a granel MUITO fixe mesmo! Achei altamente! Tem uma secção muito generosa de higiene, produtos de limpeza e líquidos (óleos, molho de soja, etc), para além dos habituais secos (farinhas, leguminosas, etc). Também é possível encontrar frescos (legumes, frutas, ovos) e, no mesmo espaço, há ainda cafetaria. Comprámos pão e croissant do dia anterior (vendem as sobras a metade do preço no dia seguinte, evitando assim desperdício alimentar) e café moído na hora (há um moinho self-service para moer café, outro para moer farinhas) – tudo nos nossos recipientes, CLARO!

Rote Fabrik – zona que deve ter
barzinhos no Verão

A caminho do local onde ficámos estacionados (a 1h a pé do centro) passamos na Rote Fabrik, um antigo espaço fabril que foi transformado em polo cultural. Não foi o meu caso, mas penso que vale a pena passar lá com mais tempo e desfrutar do local.

Depois, fomos 2 dias para uma zona mais rural. A ideia era seguir até Interlaken e explorar as aldeias típicas na região. Como estávamos num veículo longo, não sabíamos como seriam as estradas, nem se havia neve, optamos por ficar em Lungern, uma pequena aldeia no caminho. A aldeia está situada na margem de um grande lago, com águas transparentes e uma cascata que salta das montanhas para desaguar nele. Muito lindo mesmo. Muito verdinho e com neve.

Aldeia de Lunguern

Fiquei com pena de não conhecer mais, mas, realmente não foi possível, talvez noutra visita. Há um comboio que faz o trajeto até Interlaken que parece ser um passeio incrível.

Lucerne à noite.

Seguimos para Lucerne (ou Lucerna), uma cidade muito bonita, conhecida pela sua ponte de madeira decorada com flores (não tinha flores quando visitamos, provavelmente, por ser Fevereiro). Ficamos no parque de campismo, onde recebemos um voucher que permitia usar os autocarros da cidade gratuitamente ( uma iniciativa do turismo da cidade, é possível adquirir em qualquer local onde fiquemos alojados, pelo que a menina da receção nos explicou). Foi muito bom, permitiu que fossemos duas vezes ao centro da cidade, embora o tempo estivesse reles. A parte menos boa, foi uma folha impressa só para o bilhete, mas, menos mau, foi uma para 3 pessoas…

Entrada da loja em segunda mão em Zurique

De volta a Zurique, visitei esta loja de artigos em segunda mão enorme e com muita variedade de artigos! Aparentemente, na Suíça, há varias lojas deste género. Fiquei bastante impressionada, nunca tinha estado numa loja em segunda mão daquela dimensão e com tanta variedade/qualidade de artigos. Ainda é longe do centro de Zurique, mas era relativamente perto do local onde estava.

Uma das plataformas na Rainfall, onde estamos perto da água a correr com muita força.

Fomos ainda ver a Rainfall (cascata do rio Reno) na fronteira entre a Suíça e Alemanha. A cascata não é muito alta, mas o volume de água é brutal! Para se ver de perto, é necessário comprar o bilhete para uma espécie de “parque” onde entramos no castelo (5 francos), existem várias zonas com vista para o rio e ainda um elevador panorâmico incrível. Como na maioria das atrações no mundo, os bilhetes são impressos em papel e não existe logística inversa (estratégia para recolha/devolução do bilhete).

À conversa com quem lá vive, descobri que na Suiça o lixo tem de ser descartado em sacos comprados para o efeito (20 francos – 5 sacos de 35L, em Zurique). O valor dos sacos já inclui uma taxa para a separação, por isso, não é obrigatório separar. No entanto, como os sacos são caros, a maioria das pessoas acaba por separar os materiais recicláveis e pôr nos contentores para o efeito (não existem em todo o lado, só vi em zonas residenciais). O vidro deve ser separado por cores. O papel papelão, em algumas zonas, tem de ser entregue em locais específicos para o efeito. Usam os sacos, essencialmente, para lixo orgânico e embalagens de plástico, pois, pelo que percebi, não existem contentores para plástico (entretanto, li na net, que há locais onde existem contentores para plástico PET … ). As pilhas, embalagens de detergente e lâmpadas podem ser descartas nos supermercados (vi no Migros, mas penso que também haverá noutros). Se alguém for encontrado a descartar lixo em locais errados, é multado.

A infraestrutura para andar de bicicleta é incrível. Em (quase) todos os locais que visitei vi ciclovia. Nas estradas mais apertadas, a ciclovia e a estrada para carro é partilhada. Existe uma linha amarela que limita o local onde os ciclistas devem andar e, caso esteja lá algum, os carros não a podem transpor.

Apesar de não ter feito grandes compras, pois levamos muita comida de Portugal (por motivos óbvios ahah), pareceu-me tranquilo comprar nos nossos sacos. A minha mãe comprou, algumas vezes, pão no seu saco e fruta também. Muitas coisas estão embaladas e não há grande oferta de produtos secos a granel nos supermercados normais (pelo menos os que conheci), mas vi sempre alguma oferta de frescos sem embalagem. A minha irmã visitou um local onde existia uma pequena casinha, a que chamam loja do agricultor, onde eram vendidos alguns frescos sem embalagem e a granel, inclusivamente, sumo de frutas caseiro. Nesse local, não existe ninguém a atender, cada um escolhe o que quer, pesa, faz a conta e deixa o valor numa caixinha. Existem recipientes de plástico, mas, até porque somos nós que pesamos, é ok levar os próprios recipientes.

A água da torneira é potável em todo o lado e existem fontes, em vários sítios, onde dá para encher as nossas garrafas. A comida de rua, é, essencialmente, salsicha com pão e é preciso estar muito alerta para não nos darem logo um prato descartável (aconteceu-me este fail!).

O estacionamento para autocaravanas fora de parque de campismo, nos locais que visitei, não é muito fácil. Se forem de grandes dimensões (caso da dos meus pais), na maioria dos locais, só mesmo em parque de campismo. Para autocaravanas mais pequenas, pareceu-me, que em certo parques de estacionamento (alguns pagos) dá para passar a noite. Atenção que, a maioria dos estacionamentos, tem limite de horas que se pode estacionar.

Parques de campismo onde ficamos: Lungern, Lucerne e Zurique. Tirando o de Zurique, que, em época baixa, funciona sem receção e o valor é 10€ por pessoa (deixa-se numa caixinha à saída). O valor dos outros foi aproximadamente 50€ (autocaravana+3 pessoas), com internet gratuita e sem eletricidade. Achei todos impecáveis, muito limpos e cuidados.

Vale a pena realçar que, as áreas de serviço na Suíça e, especialmente, em França são muito boas. Onde paramos, havia WC/duche, internet, zona para pernoita, parque de merendas, algumas equipamento para fazer exercício, tudo muito limpo e arranjado. Em Espanha, as que conhecemos, eram fraquinhas.

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