fashion revolution
Moda sustentável

Fashion Revolution e repensar o consumo de moda

A semana da Fashion Revolution começa na próxima segunda, dia 20. Decidi que este ano, iria dedicar algum tempo, durante esta semana, a abordar temas relacionados com consumo sustentável, na área da moda. Fiz uma sondagem na página do Instagram e, para surpresa minha, muitas das pessoas que me acompanham por lá, não conhecem este movimento. Por isso, irei começar por introduzi-lo e, em seguida, irei deixar alguns conteúdos relevantes para que, se quiseres, durante esta semana, possas aprender mais sobre os problemas (e soluções) relacionadas com sustentabilidade na industria da moda.

Fashion revolution: o que é?

A Fashion Revolution é um movimento global (sem fins lucrativos), fundado por Carry Somers e Orsola de Castro, que nasceu como resposta ao desastre sucedido em 2013, no Bangladesh, em que o edifício Rana Plaza desabou, matando 1138 pessoas. Nesse local, operavam várias fábricas que forneciam roupas para conhecidas cadeias de roupa internacionais. As marcas, rapidamente, tentaram negar responsabilidades quanto à situação.

Este movimento surgiu, acima de tudo, para exigir transparência na moda, para que possamos escolher em consciência, sabendo tudo o que aconteceu para que as peças chegassem até nós. 

Todos os anos, na semana do aniversário do desastre, são organizados vários eventos, em vários países. As atividades dependem de organização para organização, mas visam alertar quanto à necessidade de mudança no mundo da moda. Tanto marcas quanto consumidores/cidadãos são convidados a participar, quer seja através da internet (a única hipótese, este ano), quer seja presencialmente. É fomentado o espírito crítico, nomeadamente, através do movimento “who made my clothes” (quem fez as minhas roupas) que incentiva a que perguntemos, às marcas, qual a origem das peças que chegam até nós. Há ainda, marcas que, por opção, durante esta semana, aproveitam para mostrar quem faz as suas roupas (“I made your clothes”) trazendo transparência e proximidade entre quem faz e quem compra os seus produtos. 

Já não me recordo bem qual foi o meu primeiro contato com a fashion revolution, mas já acompanho há alguns anos, no entanto, apenas o ano passado consegui ir ao evento em Lisboa. O evento, para além de palestras relacionadas com o tema, tinha uma zona de exposição para marcas que quisessem mostrar os seus produtos e processos e ainda um mercado de trocas (do qual trouxe peças que adoro). 

Este ano, a semana da Fashion Revolution começa na próxima segunda, dia 20. Em Portugal (e em todo o mundo, penso eu) o evento irá decorrer online (no Instagram) e a programação inicia-se já amanhã (podem consultar aqui).

“E quando a fábrica do Rana Plaza desabou no dia 24 de abril de 2013, qualquer pessoa que já tivesse comprado um item de vestuário muito barato, deve ter sentido uma ponta de vergonha. Eu ainda amo roupas, pelos mesmos motivos que as amava inicialmente. Eu sei que existe um caminho longo a ser percorrido e que a própria indústria precisa mudar. Mas, como consumidores nós temos, sim, o poder. É bem simples, na verdade. Nós devemos comprar menos roupas (todos nós temos roupas demais), tomar decisões mais conscientes sobre as roupas que compramos, usá-las por mais tempo e aproveitá-las mais.”

Como ser um revolucionário da moda, excerto da introdução, Tamsin Blanchard

Durante a próxima semana, aproveitarei para falar das minhas escolhas, do meu percurso de redução de compras de roupa, entre outras coisas, relacionadas com este tema. Embora, até para mim, seja dificil acreditar, já fui uma grande consumidora de fastfashion, por isso, foi um percurso longo até chegar aqui (há 4 anos que não compro nenhuma peça de roupa nova). 

Irei também explicar o que me motiva a consumir moda de outra forma, mas, para começar ( talvez, a parte mais importante) acho útil deixar algumas referências de documentários, livros, entrevistas, etc… que podes consultar para que possas perceber o problema e decidir o que faz mais sentido para ti. 

Fiz uma selecção de vários conteúdos relevantes para repensar a forma como olhamos e consumimos moda, alguns são sugestões dadas pela própria fashion revolution, outras fui encontrando enquanto pesquisava mais. A maioria dos recursos, já li/vi, mas outros, também irei aproveitar para ver durante esta semana (depois vou partilhando no Instagram, o que ando a ver). 

Fashion Revolution Portugal e/ou em português:

Mais sobre a Fashion Revolution: Site Fashion Revolution; Página Fashion Revolution Portugal, Página com Recursos da Fashion Revolution (acima apenas deixei link para os que têm tradução para português, aqui encontras mais em inglês e outras línguas); Página Fashion Revolution Brasil; Canal youtube Fashion Revolution.

Documentários (e outros, em formato vídeo):

Livros:

  • Stitched Up – The Anti-Capitalist Book of Fashion, Tansy Hoskins (2014)
  • Overdressed: The Shockingly High Cost of Cheap Fashion, Elizabeth Cline (2012)
  • To Die For – Is Fashion Wearing Out The World?, Lucy Siegle (2011)
  • No Logo, Naomi Klein (1999)*

Dica extra:

Se estás muito interessado/a no tema, na lista com cursos online sobre sustentabilidade que publiquei aqui no blog ( aqui: Cursos online gratuitos sobre sustentabilidade) há dois cursos sobre moda sustentável. Este, no Edx, e este, no Coursera. De vez em quando, a própria Fashion Revolution disponibiliza cursos, como este, é uma questão de ires consultando o site e estar atento às datas.

Estes, são apenas alguns dos conteúdos disponíveis, sobre o impacto da industria da moda e formas de melhorar essa realidade. Se conheces outros, que achas relevantes, partilha connosco, aqui nos comentários.

Durante a próxima semana, não te esqueças de dar uma olhada no programa da Fashion Revolution Portugal e, visto que decorrerá online, porque não olhar também a de outros países. Tenho a certeza que irão partilhar muitas informações interessantes!

*tenho a minha cópia, em Português, para empréstimo, caso queiras ler, manda-me mensagem.

Se tens interesse por este tema, vê o artigo que escrevi no seguimento deste, durante a semana da Fashion Revolution 2020 – Moda sustentável: alternativas.

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